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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Projeto de iluminação com Dialux

Recebeu as chaves do apartamento, casa ou comércio?
Então chegou o momento de colocar em prática o estudo luminotécnico para valorizar seu ambiente, e também maximizar os resultados com a combinação dos diversos artigos de iluminação disponíveis.
A contratação de um profissional é indicada. Na falta deste profissional, ou mesmo para esboçar idéias próprias, você mesmo pode iniciar este trabalho. Basta um pouco de dedicação, paciência e um software especializado.

Dando o primeiro passo
A primeira providência a tomar, mesmo que você pretenda contratar um profissional em iluminação, é mapear todos os móveis e os objetivos de cada ambiente.
Use a planta como referência, e rabisque a posição de cada móvel. Imagine como a luz natural contribuirá para a iluminação, e anote em quais horários e em quais situações o sol adentra os ambientes. Clarabóias e telhas transparentes são recomendadas para casas e galpões.
Anote os pontos de destaque da iluminação, tais como quadros e objetos de arte. Anote também os pontos de iluminação indireta (embutidos em sanca de gesso, dicróicas ‘riscando’ as paredes, abajures e cortineiros iluminados). Finalmente, marque o centro útil dos ambientes para a iluminação principal – ou seja, o centro por onde circulação as pessoas, e não o centro da alvenaria.

Tipos de lâmpadas
O mínimo necessário para iniciar um projeto de iluminação é conhecer os tipo de lâmpadas disponíveis.
Considere minimizar o uso de lâmpadas incandescentes (indico somente para abajures e com potências de 25W ou inferior). Halógenas e dicróicas por filamento estão com os dias contados devido ao alto consumo e desconforto térmico. Halógenas bipino possuem sobrevida maior quando utilizadas em lustres e pendentes sobre mesas de jantar, pois são utilizadas por tempo limitado e possuem características decorativas.
Em ascensão permanecem as lâmpadas fluorescentes, fluorescentes compactas (ou econômicas) e leds. Eficiência energética e conforto térmico são seus pontos fortes. Temperaturas de cor fria e natural são diferenciais não encontrados nos modelos a filamento.

Equivalência luminosa
A busca por uma fórmula de cálculo precisa para equivalência entre os diversos tipos de lâmpadas pode ser decepcionante. Cada lâmpada possui características próprias de propagação, intensidade e direção do foco de luz, e por isso a substituição de um modelo por outro sempre apresentará alguma diferença na temperatura de cor, intensidade ou foco.
Ainda assim, é preciso um parâmetro. Eu utilizo a seguinte relação de potência para obter 500 lúmens de intensidade luminosa:
  • 50W lâmpada incandescente
  • 46W lâmpada halógena
  • 42W lâmpada dicróica
  • 8,5W lâmpada eletrônica (fluorescente compacta)
  • 7,8W lâmpada fluorescente
  • 5,3W lâmpada led

Método prático para cálculo da iluminação
A intensidade luminosa das lâmpadas é dada em lúmens. Já a medida de iluminação de um ambiente é medida em lux, que significa lúmens por metro quadrado.
Para cada ambiente são utilizados padrões determinados (em lux) de iluminação. Há muita teoria sobre o assunto. Eu adoto uma fórmula prática, adquirida por experiência própria e entrevista com clientes. Mesmo considerando que as percepções individuais possam divergir, a tabela a seguir acomoda satisfatoriamente 90% das situações.
Padrão de iluminação por ambiente:
  • Garagens 90 lux
  • Corredores 120 lux
  • Terraços 190 lux
  • Salas de estar 240  lux
  • Dormitórios 290 lux
  • Banheiros 290 lux
  • Salas de jantar 350 lux
  • Áreas de serviço 390 lux
  • Lavabos 400 lux
  • Lojas 450 lux
  • Cozinhas 480 lux
  • Escritórios 580 lux
  • Vitrines 1300 lux

Assim, multiplicando-se a área útil do ambiente (metros quadrados) pelo padrão de iluminação conforme tabela acima (lux), obtem-se a necessidade luminosa para o ambiente (em lúmens). Com essa informação basta calcular a quantidade de lâmpadas, conforme o tipo de lâmpada de sua preferência.

Software de apoio
Um passo a frete para projetos luminotécnicos é a utilização de softwares de apoio. Eu utilizo e recomendo o Dialux.
Dialux é um software gratúito. Não se engane, apesar de gratúito, é um software completo e complexo. Entretanto, com um pouco de conhecimento em luminotécnica e vivência em qualquer tipo de CAD, é possível se ambientar ao produto. Em caso de necessidade existem vídeos, tutoriais de ajuda e cursos profissionalizantes disponíveis na internet.
Com base na planta do empreendimento, é possível projetar a distribuição dos elementos de luz e visualizar os resultados em 3D. Todas as variantes (móveis, iluminação natural, cor de paredes) são consideradas no cálculo. Dados reais de luminárias e lustres são ‘importados’ no projeto para que um cálculo preciso seja obtido.
O software Dialux pode ser baixado no site da Dial – clique aqui.

Biblioteca de luminárias
Ao iniciar o uso do Dialux você perceberá que precisa especificar as luminárias para completar os cálculos. É difícil conseguir os dados das luminárias aqui no Brasil, mas você poderá encontrar modelos similares para incluir em seu cálculo. Eu utilizo uma biblioteca que ajuda muito, e possui vários tipos de luminárias, com diversas configurações e tipos de lâmpadas. Basta ‘baixar’ e incluir em seu projeto Dialux.

E por último, mas não menos importante
Sabe aquela situação em que tudo está certo na teoria, mas o resultado não está bom?
Eis algumas dicas para o projeto não ‘desandar’:
  1. Para paredes brancas, considere em seu cálculo uma perda de 10% no rendimento das lâmpadas por fatores como manutenção, limpeza, envelhecimento, baixa reflexão das paredes e tolerância dos fabricantes. Além disso, a cor das paredes e móveis influenciam na reflexão da luz e por consequência no resultado luminotécnico. Nos casos de paredes e móveis em tons claros (não brancos), aumente a perda para 20%. Móveis e paredes escuras sugerem aumento da perda para 35% ou mais.
  2. Piso escuro (madeiras) ou preto (granitos e porcelanato) também reduzem dramaticamente a reflexão da luz, reduzindo a eficiência luminotécnica. Considere pelo menos 20% de redução nestes cenários.
  3. A perda de iluminação das lâmpadas fluorescentes e econômicas (fluorescentes compactas) é de cerca de 15%, devido a iluminação perdida na parte de trás da lâmpada. Quando alojadas em plafons embutidos e com vidro, a perda aumenta para 30%. Se o vidro for opaco, jateado ou leitoso, considere uma perda de 40% a 50%! Isso é incrível, mas lamentavelmente é verdade. Ao importar dados de luminárias no Dialux, você verá que muitas luminárias apresentam um coeficiente LOR (‘light output ratio‘) inferior a 50%.
  4. Lâmpadas led e dicróicas não possuem perda por LOR, pois o foco é dirigido para o ambiente – sem obstáculos. Contudo a iluminação é dirigida e não utiliza o teto como elemento refletor. A dica é dirigir os focos ‘riscando’ as paredes, ou em objetos, do contrário iluminarão apenas o chão, reduzindo o efeito de reflexão.
  5. Abuse de abajures articulados nas áreas de estudo e leitura, pois o resultado é bem melhor do que uma forte iluminação vinda do teto.
  6. Cuidado com a escolha da luz nas áres próximas ao televisor. É bom uma iluminação suave e que não cause reflexos na tela.
  7. Banheiros[1]: reforce a iluminação sobre pias.
  8. Banheiros[2]: lembre-se da posição da ducha antes de determinar a posição da iluminação, para que você não fique ‘na sombra’ durante o banho.


Links e referências:

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